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terça-feira, 31 de julho de 2012

LEITURAS


Os dois primeiros estão despachados.
A "Viagem dos cem passos" foi uma surpresa, gostei imenso porque o tema é fora do vulgar, a história de um indiano desde Bombaim até França, de criança à meia idade, através dos cheiros e sabores da culinária mundial, num apelo aos sentidos a lembrar Zola. Retrata a luta pela afirmação numa área extremamente competitiva e rigorosa como é a dos chefs e a conquista das estrelas Michelin.
O primeiro, "O tempo envelhece depressa", é uma sucessão de pequenos contos agradáveis e de boa leitura.
A este ritmo não sei se me chegarão os livros que me restam ou se ainda terei que fazer uma ronda pelas livrarias a reforçar o stock!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

COMPRAS

Já começo a ficar um pouco saturada de estar enrolada no sofá com as minhas lãs (nos tempos livres,claro)!
Com tanto sol, mas sem nenhum calor, apetecem-me cores alegres, flores, viagens, férias.
Ai,ai, e ainda só estamos em Fevereiro...
Aqui ficam as minhas últimas compras, reflexo destes apetites tresloucados, que indiciam que, muito em breve, voltarei aos trapinhos e às criações em tecido. Será?...


Da Dotquilts, mandei vir a semana passada estes tecidos mais uns marcadores de lã e contadores de voltas, que me estavam a fazer falta para o tricot.

Ontem comprei estes no Pano pra mantas, que descobri aqui no Porto, eu que me lamentava toda de que não houvesse uma loja onde comprar tecidos para patchwork, na cidade. Estão a ver a minha perdição agora, não estão?


Para finalizar descobri este livrinho, que  folhei rapidamente antes de uma reunião, emprestado por uma colega, e apaixonei-me logo pelo sub-título «sobremesas para fazer entre 5 a 30 min». Fui logo procurá-lo à livraria, não encontrei na Leitura mas encontrei-o na FNAC e comprei-o na segunda-feira, por isso ainda não tive tempo de experimentar nada. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

FIM DE SEMANA

O tempo corre desenfreadamente e eu vou, entre dias de chuva e ventania ou de sol, lutando contra todas as tarefas que tenho que cumprir, nas datas aprazadas.
A semana passa num crescendo de horas acumuladas, roubadas ao sono, que se traduzem por amanheceres ensonados, mal-dispostos em que me arrasto mecânicamente até engolir o 1º café.
Aaaaah, e finalmente é sexta-feira, promessa de descanso, de repor as horas de sono perdidas e de tempo de lazer.

Já não sei o que é pegar num trapinho, num livro, em qualquer passatempo em que possa descontrair umas horas. Não tenho feito nada a não ser os cachecois ao fim de semana.É por isso que não tenho escrito nada e vos visito tão pouco.Com tantas horas ao computador a trabalhar, já nem me apetece!

Vejo as ruas iluminadas (pobremente, diga-se de passagem, deve ser da crise), as montras enfeitadas, cheias de coisas natalícias a apelarem ao nosso lado consumista e digo-vos...ainda não consegui assimilar que estamos a um mês do Natal!

Nem vestígios de espírito natalício! Eu, que adoro o Natal!

Bem, os metereologistas dão chuva para todo o fim de semana. O céu está negro, o vento assobia nas arestas do meu prédio, as gaivotas, essas, divertem-se à grande a pairar lá no alto, passando de vez em quando rente à minha janela.

Eu já me preparei para o fim de semana e, enroladinha no quentinho do meu sofá, já tenho com que esquecer o mau tempo!


Mais um cachecol roxinho, roxinho como a revista em baixo, embora nesta foto não pareça, tirado da mesma revista japonesa.


Revistas de Natal com os meus hobbies preferidos, para ver se o espírito da época me bate forte e entra de uma vez!

Filmes antigos e românticos que vão sempre bem com tardes de chuva no campo, mais um livro que " tenho" que ler, quer queira ou não!
Gostaram do programa?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A CABANA

Acabei de ler «A cabana».
Aqueles que me costumam visitar por aqui sabem que não é o tipo de livro que costumo ler, não é o género nem o tipo de escritores que me seduzem.
Então como é que fui ler este livro?
Várias vezes peguei nele, na FNAC, folhei e voltei a pousá-lo. Ele está em grande evidência em todos os escaparates. De novo passava numa livraria e sentia-me atraída por ele. Voltava a manuseá-lo, a ler um pouco aqui e ali, e voltava a largá-lo.
Todos sabem que adoro neve, que o meu sonho seria viver 2 a 3 meses numa cabana aí para a Noruega ou Suécia, para ter a noção do tempo a passar, para sentir-me isolada do mundo e das suas "coisas" numa espécie de retiro espiritual e de encontro. Só comigo e com a minha família, sim, que eu não queria ir só! Pois, se calhar, era este desejo latente que me atirava para aquela capa azul, para aquele branco de neve e para o título sugestivo. Se repararem bem aquela capa irradia uma luminosidade cintilante, quase.


Acabei por ler o livro on-line.
Li-o e gostei.
O livro pede para não contarmos a história mas para divulgarmos a nossa opinião sobre ele. É o que vou fazer.
Na verdade é uma história dos nossos dias, uma tragédia que infelizmente acontece, demasiadas vezes nos últimos tempos, sobretudo no estrangeiro, o rapto e assassínio de uma criança. Um relato real, bem feito e que nos prende. Passam-se três anos e depois de algum mistério temos o pai da criança que regressa à cabana onde a tragédia se consumou. Depois, bem, depois temos um relato fantástico de Deus e da Trindade. Digo fantástico porque é das interpretações mais puras, poéticas e ...doces? Cativantes? Não sei classificar mas que nos toca completamente. E quem me conhece sabe que sou um rochedo, bem díficil de "tocar"!
Há um ou outro pormenor meio desconcertante, naif, próprio da cultura americana. Mas tirando esse facto e o de eu ter lido a tradução brasileira, o que tirou 1/3 da beleza ao texto, tenho a certeza que todos gostarão do livro. A história, independentemente das crenças religiosas, vale a pena ser lida, experimentem!


Não estive na neve em nenhum daqueles países que desejava, mas estive numa cabana.
Em vez de retiro espiritual, tive mais uma reflexão religiosa.
O tempo, esse passou rapidamente!
Ah, e não sei porquê mas ando a trautear o José Cid!



A maioria de nós tem suas próprias tristezas, sonhos partidos e corações feridos, cada um viveu perdas únicas, nossa própria "cabana".

Oferece uma das visões mais pungentes de Deus e de como ele se relaciona com a humanidade.


http://theshackbook.com/

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VIDA

A esta hora devem estar muito admirados a pensar o que andarei eu a fazer que nunca mais dei notícias, (que pretensiosa, ehehehe).
A verdade é que Setembro entrou trazendo com ele o recomeço do trabalho, as rotinas que é preciso voltar a implementar ( custa tanto levantar cedo outra vez), o organismo que teima em executar as tarefas em câmara lenta, programar, reunir, abastecer a casa, etc,etc, etc...Todas nós sabemos como é!

Mas claro que não tenho feito só isso. Participo em dois Swaps e tenho portanto que executar alguma coisa para as minhas parceiras. Como é segredo e surpresa o que vou oferecer, só posso mostrar umas espreitadelas para os trabalhos que já estão prontos, não vá alguma delas fazer uma visitinha aqui ao blog e lá se ia a surpresa.


Para além disso, continuo às voltas com o terceiro volume da saga Millennium, completamente vidrada no que acontecerá a Lisbeth Salander que está numa cama de hospital desde o príncipio, com um tiro na cabeça e com metada da Suécia em revolução e convulsão para resolver o problema dela. Tão entusiasmada que me apetece ir a correr tirar um curso de informática acelerado para me tornar uma hacker famosa como ela, ehehe.
Claro que já cheguei aquela fase em que, com medo de acabar o livro e perder esta emoção e encantamento da história, abrandei o ritmo de leitura, pego-lhe aos pouquinhos para saborear bem. Também, já não estou em férias para lhe pegar com fúria como aos dois primeiros mas a verdade é que é mesmo para o fazer render. Depois conto-vos a história.


Hoje comprei este livrinho na FNAC. Depois de ponderar que não podia comprar todos os que me apeteciam, não resisti a este. É que estou mesmo a precisar de apurar a técnica de fazer pão e dar mais uso à minha MFP. E .... tenho que me atirar para o chão mesmo se me quiser pôr à altura dos pães que vou vendo aí pelos blogs, sobretudo de certos pãezinhos, de uma certa menina que é uma padeira afamada e cobiçada, de seu nome Ameixa Maria!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

UM PROBLEMA MUITO ENORME

Hoje o meu cometário literário é diferente!
Estive num encontro com o escritor Álvaro Magalhães, ouvi-o falar dos seus livros, do que o motivou para a escrita, da sua rotina de vida como escritor, do que ele pensa da literatura infantil, que é o que ele escreve, e gostei! De uma forma divertida, desassombrada, falou da generalidade da sua obra e gostei de o ouvir dizer, se não foi por estas palavras, foi esta a ideia que me ficou; que escrever para jovens é também escrever para adultos porque um livro infantil não é uma qualquer história simplória ou meia parva, contada de uma forma meia "lerda". ( estas palavras são minhas)
Um livro infantil tem que cativar o leitor e, digo eu, se queremos cativar para a leitura num mundo tão exigente como o de hoje, temos que ter realmente uma boa história e bem contada, para oferecer! Hoje, na minha modesta opinião, escreve-se a metro, tanto para adultos como para crianças. Não é este o caso!
É por isso que vos venho falar, de « Um problema muito enorme », último livro escrito por este autor e que faz parte de uma trilogia.



As personagens residentes: um ouriço que gosta de ouriçar ( estar deitado de barriga ao sol sem nada para fazer ), um coelho que tem medo que o mar engula a terra, uma toupeira que gosta de ler, um chapim que só sabe trabalhar e um caracol que gosta de viajar e vivem todos numa clareira, na Mata dos Medos.
Esta mata é verdadeira, faz parte de uma área protegida, e fica em Almada. As personagens são inventadas mas os seus problemas muito reais e, ao fim e ao cabo, muito parecidos aos dos humanos.
Com uma ternura por vezes hilariante e uma linguagem inventada pela necessidade das personagens transmitirem conceitos e sentimentos até ali desconhecidos, somos confrontados com problemas, sentimentos, medos e princípios filosóficos comuns a todos nós.
Lemos de um fôlego a história, sorrindo e angustiando-nos com as descobertas destes animais, porque revemos em cada um deles o que está subjacente em nós próprios. O crescimento, a educação, a sociedade fizeram-nos perder aquele conhecimento empírico, aquelas vivências e ensinaram-nos, se não a resolver os problemas, pelo menos a esconder o medo. Ao ler o livro encontramos tudo de novo, encontramo-nos a nós próprios!

«Era uma noite calma de Verão no largo Pinheiro Grande, algures na Mata dos Medos.O Chapim acordou sem sono, muito bem disposto. “É de manhã”, pensou. Espreguiçou-se, alisou as penas, depenicou algumas bagas e preparou-se para sair. Mas quando abriu a porta de casa não viu o Sol. Só havia silêncio e escuridão. “O que teria acontecido?”, pensou. Era de manhã e o Sol não tinha nascido.»

Não vos vou dizer qual é o problema muito enorme, para manter o suspense, mas não deixem de ler o livro e, se quiserem, comecem pelo «Conto da mata dos medos» (que nome tão giro!), porque é de rir ou «Criatura Medonha»! Lindos, lindos, lindos!

No início dos anos 80, Álvaro começou por publicar poesias e poemas. Em 1982, ele publicou o seu primeiro livro para crianças: Histórias com Muitas Letras. Em 2002, o seu livro "Hipopótimos - Uma história de amor", recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de literatura para crianças e jovens. Mais recentemente, Álvaro acrescentou às suas obras a série "Triângulo Jota" de narrativas de mistério e indagação, sendo considerado “o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos”. Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária
Tirado de Wikipédia

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O AMANTE

Li “ O Amante” da Marguerite Duras, há já muitos anos e revisito-o de vez em quando numa leitura em cruz de algumas passagens, devido à sensualidade e à precisão cirúrgica com que ela narra esta história.
Fiz essa primeira leitura quando ainda não havia o filme e ainda bem!
Não acho que o filme consiga apanhar o espírito do livro, porque quase não há acontecimentos, nem acção.
O enredo situa-se numa descoberta de emoções, de vivência de sentimentos que nasce como um manancial, no interior de cada personagem. O livro está escrito na primeira pessoa como se fosse uma confissão dolorosa arrancada da memória da autora.

« Tenho ainda a dizer-vos que tenho quinze anos e meio. É a passagem de uma barcaça no Mékong. A imagem dura toda a travessia do rio.»
« Trago um vestido de seda natural,usado, quase transparente.É um vestido sem mangas muito decotado(...) Nesse dia, devo trazer esse famoso par de saltos altos de lamé dourado(...). Não são os sapatos o que há de insólito, de extraordinário, nesse dia, na aparência da garota. O que há nesse dia é que a menina traz na cabeça um chapéu de homem de abas direitas ( ...) A ambiguidade determinante da imagem está neste chapéu.»

Ela uma adolescente branca e pobre, de 15 anos que descobre o poder do seu corpo e a sua sensualidade.

« Na limusina há um homem muito elegante que me olha. Não é branco. Está vestido à europeia, usa o fato de seda claro dos banqueiros de Saigão. Olha-me. Estou habituada a que me olhem.»

Ele, chinês e rico, mais velho e mestre do amor. Desenganem-se se pensam que ela é a vítima dele, que foi seduzida pelo homem mais velho.

« Desde o primeiro instante ela sabe qualquer coisa deste género, ou seja que ele está à sua mercê. Logo que outros além dele poderiam também ficar à sua mercê, se a oportunidade surgisse.»

Ela tem o poder da inocência, ela quer descobrir o prazer físico, ela não quer dele o amor mas apenas a paixão.
Ele, enreda-se no amor pela diferença desta criança mulher, mima-a, acarinha-a, ensina-a, morre de prazer e deixa-se devorar na teia do desprendimento dela.
Anos mais tarde, de visita a Paris, ele não resiste e telefona-lhe.

« E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes,que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte.».

É assim que termina o livro.
Mas no meio deste romance surgem como alucinações as relações e sentimentos dela com a mãe, com os irmãos, as recordações.
Uma das imagens que me surge imensas vezes ao espírito a propósito das coisas mais variadas, e que me marcou imenso, não sei porquê, é a descrição que ela faz de uma das casa que habitou. Elevada por causa das inundações do Mékong e das monções, à mãe dava-lhe para a lavar de ponta a ponta e esfregá-la com sabão amarelo.

« A elevação da casa acima do solo permite lavá-la com grandes baldes de água, banhá-la como um jardim. Todas as cadeiras estão em cima das mesas, a casa toda escorre, o piano do salão pequeno tem os pés dentro de água (...) e depois ensaboa-se a casa com sabão amarelo. (...) Toda a casa está perfumada, tem o cheiro delicioso da terra molhada depois da tempestade, é um cheiro que nos põe doidos de alegria, sobretudo quando se mistura com o outro cheiro, o do sabão amarelo, o da pureza, da honestidade, da roupa branca, da brancura, da nossa mãe, da imensidão da candura da nossa mãe(...) que se pode ser feliz nesta casa desfigurada que de repente se transforma num charco, num campo à beira de um rio, um vau, uma praia.»

Marguerite Duras ( na foto com 15 anos) nasceu em Gia Dinh, na Indochina ( agora Vietnam), em 1914, onde passou a infância e a adolescência. A autora irá ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa, frequentemente referidas na sua obra literária.
Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, «Os Imprudentes» e «A Vida Tranquila», respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais «Hiroshima meu amor» é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com «Uma barrangem conhtra o Pacífico», Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance «O Amante».


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

TERTÚLIA LITERÁRIA

Há uns dias atrás a ameixa seca convidou-me para fazer parte duma tertúlia literária e comentar um livro de que eu tivesse gostado. Aceitei o convite, lisonjeada, mas surgiu-me uma crise existencial...que livro comentar quando gosto de tantos?

Ler é, e sempre foi, uma paixão! Tinha três anos apenas e já vislumbrava que a leitura seria um passaporte para viagens e amigos incontáveis e, quando ia às compras com a minha avó, entrava na drogaria, ela sentava-me no balcão e eu punha-me a ler os rótulos da embalagens; O-mo, Ti-de...espertalhona soletrava e tudo! As pessoas à minha volta maravilhavam-se com o prodígio. Tão pequenina e já sabia ler! Pois, eu tinha e tenho é uma memória fotográfica!

Aos doze anos tinha já devorado tudo o que era próprio para a minha idade, Enid Blyton, Odete de Saint Maurice, Júlio Dinis etc. Então o meu pai deu-me autorização para ler as prateleiras de baixo de determinada estante. Eram esses os livros que eu lia de dia e dos quais já nem me lembro dos títulos...Porque à noite...Li às escondidas Stefan Zweig, Dostoievski, Baudelaire. Claro que não percebia aqueles " frissons" apaixonados mas, mais tarde, reli esses autores e entendi.

Percebem agora a minha dúvida? Que livro partilhar? Há livros que nos marcam terrivelmente consoante a idade em que os lemos ou a fase de vida por que passamos.

Assim, porque estou de férias e não tenho grande parte dos livros que amo perto de mim, resolvi comentar « A sombra do vento » de Carlos Ruiz Zafón, vencedor de alguns prémios, nascido em Barcelona e morador em Los Angeles onde colabora com alguns jornais.

A acção deste livro desenrola-se em Barcelona e atravessa diversas épocas, o pós guerra, a Guerra Civil espanhola e o Franquismo, dando-nos uma visão histórica e de costumes. Mas isso é só a paisagem...

O livro começa numa madrugada, com um pai que leva pela mão o seu filho, no maior dos segredos, ao cemitério dos livros esquecidos para que ele escolha um que terá que manter sempre vivo.
« - Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte....»

Este adolescente escolherá, ao acaso, um livro maldito e deixar-se-á cativar de tal maneira pelo enredo que não descansará enquanto não resgatar o seu autor do anonimato. Este facto modificará para sempre a sua vida e arrasta-o para um labirinto de intrigas e segredos em que o passado se cruza com o presente, através de uma Barcelona obscura .

O amor está presente ao longo de toda a narrativa, numas personagens, alucinado e não correspondido; noutras, épico, ingénuo e puro; noutras ainda, doentio e vagabundo.

« Ao atravessar a sala na base da escadaria, Julian ergueu a vista e vislumbrou de raspão uma silhueta a subir com a mão no corrimão. Sentiu que se perdia numa visão.(...) Tinha sonhado com ela em inúmeras ocasiões, com aquela mesma escada, aquele vestido azul e aquela expressão no olhar de cinza, sem saber quem era nem por que lhe sorria.(...) Havia tempo que a aia tinha aprendido a reconhecer nos seus olhares o desafio e a arrogància do desejo: uma vontade cega de serem descobertos, de que o seu segredo fosse um escândalo apregoado e deixassem de se esconder nos cantos e desvãos para se amarem às apalpadelas. (...) Foi então que Julian conduziu Penélope até ao quarto de Jacinta no terceiro andar da casa. Despiram-se à pressa, com raiva e anseio, arranhando a pele e desfazendo-se em silêncios. Aprenderam os corpos um do outro de cor e enterraram aqueles seis dias de separação em suor e saliva...»

Surgem-nos personagens fantásticas, de uma densidade psicológica fascinante, que nos mantêm presos num suspense quase de narrativa policial, que nos levam a ler quase de um fôlego, página atrás de página.
Clara Barceló, cega e ninfomaníaca; Neri o professor de música e gigôlo; Fermin Romero de Torres, vagabundo resgatado à rua e que se revela um filósofo e braço direito de Daniel; Fumero, chefe da polícia que persegue tudo e todos como uma sombra derramando a sua raiva e esperando a sua presa com paciência de aranha; Nuria, tradutora e apaixonada infeliz de Julian; Miguel, o mais fiel dos amigos; Penélope e Bea as mulheres amadas por Julian e Daniel respectivamente; etc...

E, curiosamente, quanto mais Daniel investiga Julian Carax, o autor desconhecido do seu livro, mais a história que descobre se parece com a vida que ele próprio vai vivendo, num paralelismo que nos parece tão evidente que lhe adivinhamos o final trágico,... de um e de outro.
Mas seria demasiado óbvio para um romance tão bem construído!

É exactamente esta obstinada procura, esta fidelidade incorruptível deste jovem Daniel que levará a um desfecho inesperado que eu não vos vou contar, claro!

O autor deste livro tem um estilo único, uma linguagem forte, descrições pormenorizadas e poéticas. Irónico e até cínico na análise da vida. Hilariante e desconcertante quando menos esperamos.

Bea diz já no final da história « que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele aquilo que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.» Eu digo isto quase todos os dias na ânsia de motivar para a leitura.

Muito mais haveria a dizer mas acho que o post já vai longo demais. Espero ter conseguido aguçar-vos a curiosidade, suficientemente, para que tenham a tentação de ler o livro e, acreditem, é muito melhor do que eu o descrevi.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

COMPRAS

Qual é a mulher que resiste a umas compritas num shopping gigantesco que é a cidade e onde tudo está dirigido para comsumir? Sobretudo quando encontramos aos montões aquilo que é tão difícil encontrar cá e é a nossa paixão ( disse obsessão) ? Alguns tecidos, mal fotografados mas muito giros (depois mostro outra vez) e as inevitáveis revistas, cá tão caras.



E depois, numa tarde de chuva que passei numa daquelas livrarias deliciosas com sofás e onde podemos ler tudo o que quisermos,encontrei uma estante inteirinha, de alto a baixo, com livros de quilting. Passei-me! Apetecia-me trazer todos! Na impossibilidade, fui vendo um ...e outro... e outro até que me decidi pelo "The Quilter`s recipe book" onde para além de trazer mais de 100 maneiras de fazer quilts, encontramos os moldes, as montagens e outras combinações possíveis. Achei o título engraçado porque lembro-me de ver em casa da minha avó um livrinho antigo que se chamava "100 maneiras de cozinhar bacalhau". Agora é que vai ser trabalhar!