Não sei se alguém pode dizer que tem saudades de uma coisa que nunca teve.
Talvez a palavra mais correcta seja nostalgia...talvez.
O que é certo é que eu tenho uma nostalgia enorme por duas ou três coisa que nunca vivi.Mas gostava! Uma nostalgia que até doi.
Adoraria viver, um mês ou dois, numa cabana no meio de uma floresta completamente nevada, no pino do Inverno, lá para a Suécia ou Noruega... Perdoe-me Cláudia pois sei que este meu sonho é o seu desassossego mas deliro com as suas fotos. Sinto falta daquela brancura intocada a envolver-me, do silêncio apenas quebrado pelo vento nas árvores ou de um ou outro ramo quebrado. De estar quentinha e confortável e apenas sair à porta da rua para receber o soco gelado do ar a cortar-me a respiração.
Outra nostalgia minha era poder viver dois a três meses em Veneza. Não na Veneza de hoje, essa já a visitei duas vezes e adoro-a, mas na Veneza dos Dodges, em plena efervescência mercantil. Na impossibilidade de viajar no tempo, a de hoje servir-me-ia para matar essa saudade e poder pintar muito, aqueles recantos todos, o mistério que se respira em cada esquina.
A terceira, mais doida e inviável era de poder viver um Inverno qualquer, num castelo inglês, na Idade Média ou semelhante.Viver na dureza e desconforto do granito nu, das camas de palha, das tapeçarias nas paredes, dos longos e intermináveis dias de chuva interrupta, onde as mulheres passavam dias a fiar, a bordar, a tecer, não só as vestes necessárias mas as suas próprias vidas e a dos outros.
Bom espero que não haja por aí nenhum psicólogo ou psicanalista, de serviço, a ler-me, senão estou feita.
Todas estas nostalgias bem analisadas devem dar um tratado. Implicam espaços reduzidos e fechados, tempos limitados mas, atenção, não forçosamente solidão! Isto até é interessante porque quem me conhece sabe bem que passo o tempo na rua, saio todos os dias,adoro viver ao ar livre e até costumam brincar comigo que devo ter uma costela gaulesa porque parece que tenho medo que me caia o ( céu) tecto em cima.
De onde vem então esta saudade, ou nostalgia de vivências que não tive cuja ausência chega a doer?