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domingo, 4 de abril de 2010

PÁSCOA

Aqui está o folar da Páscoa, típico de Trás-os-Montes.

Na verdade eu ainda tive o privilégio de assistir a vários rituais tradicionais que hoje já não existem, quando era pequena e ia de férias para a aldeia.

As mulheres da aldeia juntavam-se em grupos de duas ou três para amassarem e cozerem o pão e os folares da Páscoa no forno comunitário, ou nos vários privados que os mais abastados possuiam.
Eu era muito pequena e ficava impressionada com todos os passos daquela imensa dança que era fazer a massa. Invariavelmente mandavam-me estar quieta ou fechar a porta para a massa não se "constipar", fazer pequenas tarefas como derreter o sal na água, ir buscar isto ou aquilo. Para uma criança da cidade habituada a que a padeira deixasse o pão à porta estes rituais soavam-me a alquimia.

Quando as fogaças já estavam prontas e eram metidas no forno, marcavam-se com pauzinhos ou buracos na massa, para saber o que era de quem, puxavam-se as brasas para a entrada e tapava-se o forno. Em seguida rezava-se uma salvé-rainha para que a fornada saísse bem cozida e saborosa. Sim, que nestas tarefas mais vale invocar a protecção divina, não vá o diabo tecê-las.

Com os folares era a mesma coisa com a diferença da quantidade de azeite e manteiga derretida que se juntava à massa e as dúzias de ovos ( caseiros) que levava. Depois eram as carnes de chouriço, salpicão e presunto que se tinham reservado do fumeiro, feito na matança do porco, no Inverno.

A grande chatisse é que os folares, lá em casa, eram feitos sempre na sexta-feira santa e não se podia comer carne. Era só salivar quando as formas com os folares começavam a ser trazidos do forno para casa. Felizmente a minha avó era previdente e fazia sempre um folar sem carne para podermos provar. Sábado começava a desforra com folar logo ao pequeno almoço.

Este folar não foi feito com ovos caseiros, as carnes foram compradas, não acendi o forno de lenha, embora tenha um na minha cozinha, não o amassei à mão nem segui todas aquelas voltinhas mas ficou muito bom e deu para satisfazer o gosto de ter e comer um folar da Páscoa como os da minha infância.



FOLAR

1kg de farinha
8 ovos inteiros
60 grde fermento de padeiro
3 dl de azeite
2dl de margarina derretida
1 c.chá de sal
carnes fumadas variadas cortadas

Desfaz-se o fermento em pouca água morna. Junta-se metade da farinha, mistura.se e vai-se juntando os ovos um a um. Acrescenta-se o azeite com a margarina derretida e morna, a restante farinha e o sal. Amassa-se tudo e a massa deve ficar mole, se for necessário deve juntar-se um pouco de água ou leite.
Deixa-se levedar 2 horas em lugar aquecido. Divide-se a massa em três partes e forra-se uma forma untada com uma camada espalham-se bem as carnes, alterna-se com massa e carne até terminar com massa. Vai ao forno médio a assar até estar bem cozida.
Em alternativa usa-se a MFP colocando primeiro todos os líquidos e depois os sólidos. Depois seguem-se os passos descritos.

Agora vou esperar o "Compasso" que está aqui a chegar, não tarda nada. Embora esteja no Minho também por aqui ainda se mantém esta tradição da visita da Cruz do Senhor, às casas católicas. BOA PÁSCOA.