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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

GOSTOS NÃO SE DISCUTEM...

Janeiro é um mês longo, muito longo... todos os anos. 
E atenção que para mim isso não é mau!
O frio do Inverno, as geadas que cobrem tudo de branco ou as bátegas de água que nos encharcam dias a fio, a vontade do calor e do fogo, os dias tão curtos e as noites tão looooooongas, convidam-nos a hibernar, mas não podemos.
A mim traz-me sempre o desejo dos trabalhos manuais. Tenho um secreto prazer em manusear as lãs, em afagar os tecidos, em pintar, bordar, coser e criar seja lá o que for, mesmo que vá acabar, inútil ,num qualquer canto da casa!
Gosto de acreditar que é um sentimento ancestral, vindo das inúmeras mulheres que me antecederam, de tempos imemoriais, que aproveitavam o Inverno e a impossibilidade de trabalharem os campos, para fiarem e tecerem.
Li há muitos anos os quatro volumes de « As Brumas de Avalon», de Marion Zimmer Bradley e foi lá que melhor senti descrito este longo, monótono, nostálgico e letárgico passar do tempo, que eu aprecio. 
A morte aparente da natureza e a espera pelo seu renascer, pujante de vida. 
Foi naquelas mulheres, nos trabalhos que executavam, nas suas conversas e rituais, naquele passar de tantos anos e na repetição de tantos Invernos, que eu identifiquei e me consciencializei do meu gosto e prazer enorme por esta época do ano que vai de Outubro até finais de Fevereiro.
Já agora, o livro é um relato da época do mítico rei Artur mas é espantoso porque todos os factos nos são contados do ponto de vistas, da força, do domínio, do amor e do sofrimento das mulheres, desde Morgana até Guinevère e isso torna-o diferente e muito interessante para quem gosta do género.